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A COMEMORAÇÃO
Prepara-se o poeta para a grande noite retumbante
Capricha nas linhas, inflexões, masca palavras e preces
Imagina Maracanã dos Deuses jogando Garrincha Gol!
A força da Bola explodindo em multifonemas satíricos
Acústicas orelhas voltando-se para o cogumelo irrestrito
A plateia delirante em sustenidos de orgasmos globais.
Abre-se o pano; e na boca iluminada da peraltice
Assomam dentes de leite, escolapares alarido franco.
O poeta curva-se reverente por sobre o papel...crepom de aniversários
De sua boca saltam másculas estocadas molhados gozos espoletas mil
Escândalo, Horror, Perdição, o que meus filhos fazem nesta escola?
As palavras duras, tesas, eretas aterrissam moles, xoxas, brochas no tempo
Deus altiplano gargalha bramas flagrantes frangalhos
O mundo foi feito em apenas seis dias poiso sétimo é de descanso
Eta mundo imperfeito
Nahman Armony
Capricha nas linhas, inflexões, masca palavras e preces
Imagina Maracanã dos Deuses jogando Garrincha Gol!
A força da Bola explodindo em multifonemas satíricos
Acústicas orelhas voltando-se para o cogumelo irrestrito
A plateia delirante em sustenidos de orgasmos globais.
Abre-se o pano; e na boca iluminada da peraltice
Assomam dentes de leite, escolapares alarido franco.
O poeta curva-se reverente por sobre o papel...crepom de aniversários
De sua boca saltam másculas estocadas molhados gozos espoletas mil
Escândalo, Horror, Perdição, o que meus filhos fazem nesta escola?
As palavras duras, tesas, eretas aterrissam moles, xoxas, brochas no tempo
Deus altiplano gargalha bramas flagrantes frangalhos
O mundo foi feito em apenas seis dias poiso sétimo é de descanso
Eta mundo imperfeito
Nahman Armony
LUCÍLIA, LUCI, LUA ...
Lucília, Lúcia, Lia, Lua, Luna
Tantos nomes em um só
Tantas mulheres numa única
Mas acima de tudo
A AMIGA
Que busca, consola, espera
Que cobre as chagas com sua alegria de viver
E dentro da amiga A IRMÃ
Solidária, ativa, resoluta, esperta, solucionadora
Mas também a MULHER
Dois fachos penetrantes de incendiária luz
Rompendo barreiras de matéria empedernida
Luz, lucília, lúcia, lina, luna
Luzeiro irradiante
Centro de galáxias em enfeitiçados movimentos
E ainda a MÃE
Aquela que tudo vê e sabe
De tudo e de todos
Controla e resolve
Em seu infinito e absorvente amor
Tudo isto é vocês
Lucília, lúcia, luci, lua, luna
Muitas vezes sol de incandescente luminosidade
Lucília, luci, lucidez cortante
cantante
Construção.
Tantos nomes em um só
Tantas mulheres numa única
Mas acima de tudo
A AMIGA
Que busca, consola, espera
Que cobre as chagas com sua alegria de viver
E dentro da amiga A IRMÃ
Solidária, ativa, resoluta, esperta, solucionadora
Mas também a MULHER
Dois fachos penetrantes de incendiária luz
Rompendo barreiras de matéria empedernida
Luz, lucília, lúcia, lina, luna
Luzeiro irradiante
Centro de galáxias em enfeitiçados movimentos
E ainda a MÃE
Aquela que tudo vê e sabe
De tudo e de todos
Controla e resolve
Em seu infinito e absorvente amor
Tudo isto é vocês
Lucília, lúcia, luci, lua, luna
Muitas vezes sol de incandescente luminosidade
Lucília, luci, lucidez cortante
cantante
Construção.
UM ROSTO
As nuvens do tempo desfazem traços do rosto
Tão conhecido e amado.
Carnes amolentadas pendem perfil.
Meu olhar de memória reencontra indícios
Rastros de antigo esplendor
Linhas firmes
Marcas d'água resistindo às liquescência.
Gengivas mastigam boca
Ruminam morte e vida.
De tudo resta uma memória depurada
Uma tristeza
Uma beleza perdida, lembrada
Renovada por outros rosto de mesmo destino.
Nahman Armony
Tão conhecido e amado.
Carnes amolentadas pendem perfil.
Meu olhar de memória reencontra indícios
Rastros de antigo esplendor
Linhas firmes
Marcas d'água resistindo às liquescência.
Gengivas mastigam boca
Ruminam morte e vida.
De tudo resta uma memória depurada
Uma tristeza
Uma beleza perdida, lembrada
Renovada por outros rosto de mesmo destino.
Nahman Armony
MONUMENTO À CIVILIZAÇÃO CONSUMISTA - parte 4
MONUMENTO À CIVILIZAÇAO CONSUMISTA - (parte 4)
As paredes de minhas vísceras
Choram lágrimas de sangue
Pelo afeto reprimido
Pelo afeto que não posso ter.
A restauração é impossível,
Perdeu-se,
Levou-a o rio da vida
Que não mais volta
Levou-a a corrente vital
Que escavou um novo leito
Para meu caminhar.
Eu,
Um ser livre
Alado
Sem corrente nos pés,
Acordo agora de meu sonho impossível
E me vejo miseravelmente humano
Prometeu amarrado à rocha
Pagando o atrevimento
De ter querido ser livre.
Os bicos cortantes
Dos edifícios
Dos compromissos
Dos meus amigos
E inimigos
Num só impulso
Atingem minhas vísceras
Biquem meus filhos, biquem
Biquem clientes, biquem,
E tu, Bicadora-Mor
Dá logo o golpe de misericórdia.
Não me fica gastando assim devagarinho
Com este prazer inocente,
Inconsciente,
De Bicadora-Mor.
Revela-te:
Veja a teu bico,
A tua bicada.
Perceba Bicadora-Mor
És fonte de tormento
De lamento
Pilar da civilização
Defensora do lar
E do instalar.
Estás instalada
Dentro de mim
Ou mais exatamente
No meu estômago.
Pequeno peixe-rotor
Delicado e cruel
Sadio e exigente.
Mas estou sendo injusto.
Como exigente?
Se apenas quer um pedaço de meu estômago
Para ficar brincando
Para se agarrar
E fazer dele sua propriedade particular.
Tudo o mais é meu;
Como posso reclamar?
Ela quer apenas
Aquele pequeno trecho para si
Para percorrê-lo à vontade
Mordê-lo
Fincar estacas
Fazer e desfazer.
Não é demais
Posso carregar este pequeno peixe-rotor
Tão pouco exigente
Até o fim de meus dias.
Sobram-me os músculos dos braços
Para dar pancadas
Não no peixe-rotor
Mas na mesa
Que é insensível
Não reclama nem sente dor.
Tenho ainda meu coração
Que pode bater à vontade.
O peixe-rotor não o conhece
Mas desconfio de suas intenções
Tenho a impressão de que olha meu coração com gula;
Ele quer atingir meu centro cardioamoroso
E lá se instalar
Com toda a sua aparelhagem
De brinquedo e tortura.
Eu não sei o que fazer.
É com pavor que examino
As suas intenções
As suas manobras
O seu avanço lento e implacável
Em direção ao meu centro.
O estômago é um pedaço de minha alma
Mas não é minha alma toda.
Que farei quando o pequenino peixe-rotor chegar lá
E lá se instalar
Com seus dentes aguçados
Com sua habilidade
De rodar, rodar
E criar crateras
Vazios
Buracos
Por onde a vida não passa?
Meu pequenino peixe-rotor
Pedaço de minha alma
Materializada em gente
Atormentador
Rotor
Moloch
Exigente
Espicaçador
Os dentes me espicaçam
E eu levanto da cama
Ando, realizo
Luto, ataco,
Rebento paredes
Com a cabeça
Com as mãos
Com os ossos.
Estás satisfeito
Meu pequeno peixe-rotor?
Olha como o mundo tem medo de mim
Olha como eu tenho medo de ti
Que magnifica combinação
Tu me devoras
E eu abro os caminhos
Traçados pela tua fome.
(continua)
Revela-te:
Veja a teu bico,
A tua bicada.
Perceba Bicadora-Mor
És fonte de tormento
De lamento
Pilar da civilização
Defensora do lar
E do instalar.
Estás instalada
Dentro de mim
Ou mais exatamente
No meu estômago.
Pequeno peixe-rotor
Delicado e cruel
Sadio e exigente.
Mas estou sendo injusto.
Como exigente?
Se apenas quer um pedaço de meu estômago
Para ficar brincando
Para se agarrar
E fazer dele sua propriedade particular.
Tudo o mais é meu;
Como posso reclamar?
Ela quer apenas
Aquele pequeno trecho para si
Para percorrê-lo à vontade
Mordê-lo
Fincar estacas
Fazer e desfazer.
Não é demais
Posso carregar este pequeno peixe-rotor
Tão pouco exigente
Até o fim de meus dias.
Sobram-me os músculos dos braços
Para dar pancadas
Não no peixe-rotor
Mas na mesa
Que é insensível
Não reclama nem sente dor.
Tenho ainda meu coração
Que pode bater à vontade.
O peixe-rotor não o conhece
Mas desconfio de suas intenções
Tenho a impressão de que olha meu coração com gula;
Ele quer atingir meu centro cardioamoroso
E lá se instalar
Com toda a sua aparelhagem
De brinquedo e tortura.
Eu não sei o que fazer.
É com pavor que examino
As suas intenções
As suas manobras
O seu avanço lento e implacável
Em direção ao meu centro.
O estômago é um pedaço de minha alma
Mas não é minha alma toda.
Que farei quando o pequenino peixe-rotor chegar lá
E lá se instalar
Com seus dentes aguçados
Com sua habilidade
De rodar, rodar
E criar crateras
Vazios
Buracos
Por onde a vida não passa?
Meu pequenino peixe-rotor
Pedaço de minha alma
Materializada em gente
Atormentador
Rotor
Moloch
Exigente
Espicaçador
Os dentes me espicaçam
E eu levanto da cama
Ando, realizo
Luto, ataco,
Rebento paredes
Com a cabeça
Com as mãos
Com os ossos.
Estás satisfeito
Meu pequeno peixe-rotor?
Olha como o mundo tem medo de mim
Olha como eu tenho medo de ti
Que magnifica combinação
Tu me devoras
E eu abro os caminhos
Traçados pela tua fome.
(continua)
CONTINUAÇÃO - MONUMENTO À CIVILIZAÇÃO CONSUMISTA - parte 3
MONUMENTO À CIVILIZAÇÃO CONSUMISTA - parte 3
Chegou a hora de Deus Moloch dormir.
Ele já teve a sua ração de almas, de comprimidos
Desvitalizantes;
O vulcão vai parar de funcionar
A dor vai cessar
E com ela
Irá o trêmulo no olvido
Que capta o rumor mais íntimo da terra
Seus desejos mais recônditos
E sofre,
Porque seus olhos não enxergam
Nada no horizonte
Nada na imensidão marinha
Nada na planície infinita
Nada, nada, nada
Nem em telescópio
Nem em radioescuta.
O desejo deverá consumir-se em si mesmo
Criando buracos cada vez maiores
Nos intestinos.
Deus Moloch está satisfeito;
Há muito sangue ainda
E ainda muita carne
Para ele se fartar.
Eu te adoro Deus Moloch,
Tu és o meu íntimo
O meu Ser
A mola propulsora de minha vida
Preciso de ti acordado
Exigente
Pedindo rações
De pessoas
De coisas
De sonhos
Preciso muito de ti
Mesmo que me destruas. (continua)
Nahman Armony
MONUMENTO À CIVILIZAÇÃO CONSUMISTA - Parte 2
continuação
Os compromissos assumidos
Realizados pelo meu Ser externo
Revolvem minha intimidade
Que se rebela, se contorce,
Dá nó de angústia
Serpenteia de impotência.
Rebentar esta casca
E sair livre para as ilhas
Para a música
É impossível.
Estou marcado em meu íntimo
A ferro e fogo
Estou acorrentado
Estigmatizado
Pelos dentes finos do Pássaro-Rotor.
A carne comida por dentro
Pelo movimento
Do pássaro a bailar
A codificar
A exigir afeto
Atenção
Carinho
Proteção
Aderido ao meu corpo
E à minha alma
A me devorar
A engordar de meu ser
Definhante.
Quero minha liberdade
E não a tenho
Não consigo
Ou não quero.
Talvez eu queira ser prisioneiro,
Talvez seja minha maneira de ter
A vida
O impulso
E, incoerência,
A paz.
Uma paz feita de gritos
Gemidos
Sangue.
Uma paz feita de luta
Primeiro contra mim
Depois contra o mundo
Uma paz feita de falta
De sofrimento
Um sofrimento que dá
Dignidade
Altura
Dimensão
Para encarar de frente as feras.
Eu também tenho uma fera
Escondida em minhas vísceras;
Com ela me aprumo
Recolho seus dentes
E os transfiguro em dardos
Funcionais. (continua na próxima edição do Blog)
Nahman Armony
Os compromissos assumidos
Realizados pelo meu Ser externo
Revolvem minha intimidade
Que se rebela, se contorce,
Dá nó de angústia
Serpenteia de impotência.
Rebentar esta casca
E sair livre para as ilhas
Para a música
É impossível.
Estou marcado em meu íntimo
A ferro e fogo
Estou acorrentado
Estigmatizado
Pelos dentes finos do Pássaro-Rotor.
A carne comida por dentro
Pelo movimento
Do pássaro a bailar
A codificar
A exigir afeto
Atenção
Carinho
Proteção
Aderido ao meu corpo
E à minha alma
A me devorar
A engordar de meu ser
Definhante.
Quero minha liberdade
E não a tenho
Não consigo
Ou não quero.
Talvez eu queira ser prisioneiro,
Talvez seja minha maneira de ter
A vida
O impulso
E, incoerência,
A paz.
Uma paz feita de gritos
Gemidos
Sangue.
Uma paz feita de luta
Primeiro contra mim
Depois contra o mundo
Uma paz feita de falta
De sofrimento
Um sofrimento que dá
Dignidade
Altura
Dimensão
Para encarar de frente as feras.
Eu também tenho uma fera
Escondida em minhas vísceras;
Com ela me aprumo
Recolho seus dentes
E os transfiguro em dardos
Funcionais. (continua na próxima edição do Blog)
Nahman Armony
MONUMENTO À CIVILIZAÇÃO CONSUMISTA - parte 1
Este é um poema longo que vou dividir em quatro partes que serão postadas semanalmente.
MONUMENTO À CIVILIZAÇÃO CONSUMISTA - parte 1
Ah terrível Deus Moloch
Insaciável comedor
De pílulas e consciências
É para ti que construo o monumento
De meu sofrimento
Imagem terrena
De tua força translunar
É de ti que recebo
A vida amedrontada
Deprimida
Angustiada
O sangue aprisionado
Poreja dos edifícios
Corróe-se nos compromissos
Abre crateras no seio
Íntimo da integridade
Há um ar carcomido
Bichado
Brilhando à espreita
Da morte da margarida.
Os dentes da engrenagem
Se agarram, se fixam,
Dominam a vontade ambigual
E mexem, e rodam, e corroem
Em movimento circular.
Nada de felicidade
Nem o seu arremedo
Nem o pequeno folguedo
Nenhuma gota de prazer
Nenhum gesto de ternura.
Deus Moloch tem fome
Exige mais ração
Devora sentimentos, iniciativas
Todo prazer e desejo
Todo impulso e força
Toda criação.
Deus Moloch é insaciável.
Precisa de dormir
Comigo
O sono cego. (continua na próxima semana)
Nahman Armony
NIHIL (de meu livro "O Anverso e o Verso")
Retratos espalhados na voragem do Tempo
Revolvidos pelo destino
Derivam ao seu sabor.
Pedaços de minha vida
Passada, presente, futura.
Alguns talvez bons
Outros maus, belos, heróicos, infelizes...
Que importa?
Que adianta?
Passado. Presente. Futuro
NÃO
Futuro apenas.
Só o Futuro existe
Assustadoramente eterno
Assustadoramente imutável.
Retratos espalhados na voragem dos séculos
Revolvidos pelo tempo indiferente que os consumiu todos,
Todos.
Futuro tragando passado e presente.
Senhor absoluto.
Entidade única.
Revolvidos pelo destino
Derivam ao seu sabor.
Pedaços de minha vida
Passada, presente, futura.
Alguns talvez bons
Outros maus, belos, heróicos, infelizes...
Que importa?
Que adianta?
Passado. Presente. Futuro
NÃO
Futuro apenas.
Só o Futuro existe
Assustadoramente eterno
Assustadoramente imutável.
Retratos espalhados na voragem dos séculos
Revolvidos pelo tempo indiferente que os consumiu todos,
Todos.
Futuro tragando passado e presente.
Senhor absoluto.
Entidade única.
O Nada
Nahman ArmonyA DANÇA INFERNAL
Milhões de bonequinhos Nahman a dançar dentro de mim
Eles batem, eles pulam, eles correm, eles gritam.
- Meu cérebro é lugar de brincadeiras!
Estão sempre inquietos
Atraindo-me a atenção;
Se peço que parem, sosseguem,
É em vão.
Em paz eles dizem
Tu não ficas, não
Seu grande bobão
Seu cara de chão
Tu não ficas não.
- Eles se divertem comigo!
Mas...tudo parou?!
Será que eles voltam?
Penso que não.
E agora Nahman?
E os bonecos Nahman?
Sem eles, Nahman
Quem és tu, Nahman?
Mas, um aparece.
Aqui estou, diz rindo
Procuro alcança-lo
Mas onde o bandido?
Já outro me chama
E outro me espeta
Cutucam de um lado
Nahman eles berram.
Direita, atrás,
Esquerda, à frente,
Nahman, Nahman,
De todos os lados
Milhões de bonecos
Picando, batendo,
Cantando, pulando,
Aqui estamos, aqui estamos
- ME DEIXEM DE VEZ.
De vez, repetem
De vez, gargalham
E chamam meu nome
E dão cambalhotas
Não o deixaremos
Não o deixaremos
Milhões de Nahmans a berrar
Milhões de Nahmans a dançar infatigáveis
A Dança Infernal.
Nahman Armony
Eles batem, eles pulam, eles correm, eles gritam.
- Meu cérebro é lugar de brincadeiras!
Estão sempre inquietos
Atraindo-me a atenção;
Se peço que parem, sosseguem,
É em vão.
Em paz eles dizem
Tu não ficas, não
Seu grande bobão
Seu cara de chão
Tu não ficas não.
- Eles se divertem comigo!
Mas...tudo parou?!
Será que eles voltam?
Penso que não.
E agora Nahman?
E os bonecos Nahman?
Sem eles, Nahman
Quem és tu, Nahman?
Mas, um aparece.
Aqui estou, diz rindo
Procuro alcança-lo
Mas onde o bandido?
Já outro me chama
E outro me espeta
Cutucam de um lado
Nahman eles berram.
Direita, atrás,
Esquerda, à frente,
Nahman, Nahman,
De todos os lados
Milhões de bonecos
Picando, batendo,
Cantando, pulando,
Aqui estamos, aqui estamos
- ME DEIXEM DE VEZ.
De vez, repetem
De vez, gargalham
E chamam meu nome
E dão cambalhotas
Não o deixaremos
Não o deixaremos
Milhões de Nahmans a berrar
Milhões de Nahmans a dançar infatigáveis
A Dança Infernal.
Nahman Armony
UMA VALSA DUVIDOSA
PARA
ODETTE, MINHA AMADA
A questão é dançar a
Grande Valsa
Nos salões iluminados
Nos porões obscuros
Nos palcos estrelados
Nos lúgubres pântanos
No necrotério, no
cemitério
Arrastando vida e
morte
Alegria e tristeza
para um só lugar
Onde La Valse infla,
incha, engorda, obesida
Alimentada pelos dejetos
e jetos
Pelos gestos e restos
Pelos desertos e florestas
Pelas ações e razões
Pela alegria epifânica
E pela tristeza
pungente
Em suas
metamorfoses.
Contos dos bosques de
Viena
Valsa triste, Valsa
das flores, Velho realejo
Valsas de esquina
A fantástica La Valse
de Ravel...
Todo o Cosmos valsando
seus brotos de alegria perdida
Atônita,
Atômica, Hidrogênica
Explosiva...
Nahman
Armony
Fev. 2017
U
INICIAÇÃO (de meu livro "O anverso e o verso")
Galo cantando
Angústia da madrugada
Tonitruante canhão
Esfera túrgida
Rolando no espaço
Cabeceando, cabeceando
A procura do Nada
Em Algum Lugar
Onde não se acha
A História.
Tonitruante canhão
Cantando vitória
Galo capão
Respeito à senhora
Recados que vêm
Recados que vão
Discretos conluios
Se fazem e são,
Acordos, discordos
Convênios, concordos
Por conta do Dão
Mais alto que as nuvens
E abaixo do chão
Lá dentro bem fundo
E acima do mundo
Juntando os pedaços
Já vai
Já vai
Vitória!!
Soam os sinos
Espocam foguetes
Ilumina-se a noite
Repete-se o silêncio
Mas cheio de graça
A vida não anda
Mas a menina passa
Balançando cadências.
Cadeira de balanço
Buscando o espaço.
Nahman Armony
Angústia da madrugada
Tonitruante canhão
Esfera túrgida
Rolando no espaço
Cabeceando, cabeceando
A procura do Nada
Em Algum Lugar
Onde não se acha
A História.
Tonitruante canhão
Cantando vitória
Galo capão
Respeito à senhora
Recados que vêm
Recados que vão
Discretos conluios
Se fazem e são,
Acordos, discordos
Convênios, concordos
Por conta do Dão
Mais alto que as nuvens
E abaixo do chão
Lá dentro bem fundo
E acima do mundo
Juntando os pedaços
Já vai
Já vai
Vitória!!
Soam os sinos
Espocam foguetes
Ilumina-se a noite
Repete-se o silêncio
Mas cheio de graça
A vida não anda
Mas a menina passa
Balançando cadências.
Cadeira de balanço
Buscando o espaço.
Nahman Armony
NOSTALGIA VELHOS TEMPOS
Olá pretinho da favela
Do alto de minha janela
Em panorâmica tela
Te vejo retangulado
Retocado, pasteurizado
Pretinho multicolorido
Pretinho já muito vivido.
Te vejo subindo o morro
Pés descalços, ar de liberdade,
Árvores, nuvens, disponibilidade
Te vejo levando a lata
Pesada de água e miséria
Sonhando um sonho feérico.
Tu invejas os doutores
Que do alto de sua pompa
Olham de cima o seu céu.
Tu imaginas os bacanos
Comendo o seu pão-caviar
Envoltos em ouro e seda
Tomando banhos de espuma
Morando fantásticas mansões
Meu pretinho querido,
Com os meus olhos compridos
Sem nenhuma doutorância
Te alcanço no alto do morro
E caminho contigo
Em terras de sonho
Em terras de amor
Além das convenções
Além das distorções
Só nós dois a brincar
Nessa triste nuvem fantasia.
Nahman Armony
Do alto de minha janela
Em panorâmica tela
Te vejo retangulado
Retocado, pasteurizado
Pretinho multicolorido
Pretinho já muito vivido.
Te vejo subindo o morro
Pés descalços, ar de liberdade,
Árvores, nuvens, disponibilidade
Te vejo levando a lata
Pesada de água e miséria
Sonhando um sonho feérico.
Tu invejas os doutores
Que do alto de sua pompa
Olham de cima o seu céu.
Tu imaginas os bacanos
Comendo o seu pão-caviar
Envoltos em ouro e seda
Tomando banhos de espuma
Morando fantásticas mansões
Meu pretinho querido,
Com os meus olhos compridos
Sem nenhuma doutorância
Te alcanço no alto do morro
E caminho contigo
Em terras de sonho
Em terras de amor
Além das convenções
Além das distorções
Só nós dois a brincar
Nessa triste nuvem fantasia.
Nahman Armony
CREPÚSCULO
Discretamente
Vou-me apagando
Um a um meus personagens me abandonam
E a solidão
Reclama os seus direitos
De nascença.
Nada há a objetar.
É dobrar-me
À lei da vida
Que Talião escreveu
Em letras de fogo
No meu fundo.
Encontrar um cântaro generoso
Sábio
Amoroso
Que desvende meu labirinto
Que alcance meu centro sensível
Que envolva minhas feridas em seu mistério,
É demasiado?
Nahman Armony
Vou-me apagando
Um a um meus personagens me abandonam
E a solidão
Reclama os seus direitos
De nascença.
Nada há a objetar.
É dobrar-me
À lei da vida
Que Talião escreveu
Em letras de fogo
No meu fundo.
Encontrar um cântaro generoso
Sábio
Amoroso
Que desvende meu labirinto
Que alcance meu centro sensível
Que envolva minhas feridas em seu mistério,
É demasiado?
Nahman Armony
DESABAFO (do livro "O Anverso e o Verso)
Martela, martelo, o prego
Num contínuo ritmar
Bate forte, duro e cego
É preciso não parar.
Martela, martelo, a tela
Desta vida a desfilar
Martelando se consegue
Ver a vida não passar.
Martela, cabeça, a prece
Enche de som este ar
Que o vazio então parece
Que se esquece de se achar.
Martela, cabeça, o mundo
Pro mundo não martelar
Na cabeça a dor é funda
Deixa a alma empedrar
Martela o Universo todo
Cabeça, mundo e luar
Pois vêm do mesmo lodo
E lá irão se juntar.
Martela, martelando
Assim se vai ficando
Sem direito de parar
Sem poder se perscrutar
Sem a fome de amar
A vida é só martelar
Martelar sem parar.
Martela, martelo, a dor
Martela, martelo, a alma
Martela, martelo, o amor
Martela, martelo, a fome
Martela, martelo, a carne
Martela, martelo, o mundo
Martela, martela, martela,
Enche de som este ar
Martela com fome e dor
Não para de martelar
Até que a unha do Homem
Penetre em carne e sangue
No centro da alma do Mundo
No torvelinho do Tudo,
Quem sabe então descansar?
Nahman Armony
Num contínuo ritmar
Bate forte, duro e cego
É preciso não parar.
Martela, martelo, a tela
Desta vida a desfilar
Martelando se consegue
Ver a vida não passar.
Martela, cabeça, a prece
Enche de som este ar
Que o vazio então parece
Que se esquece de se achar.
Martela, cabeça, o mundo
Pro mundo não martelar
Na cabeça a dor é funda
Deixa a alma empedrar
Martela o Universo todo
Cabeça, mundo e luar
Pois vêm do mesmo lodo
E lá irão se juntar.
Martela, martelando
Assim se vai ficando
Sem direito de parar
Sem poder se perscrutar
Sem a fome de amar
A vida é só martelar
Martelar sem parar.
Martela, martelo, a dor
Martela, martelo, a alma
Martela, martelo, o amor
Martela, martelo, a fome
Martela, martelo, a carne
Martela, martelo, o mundo
Martela, martela, martela,
Enche de som este ar
Martela com fome e dor
Não para de martelar
Até que a unha do Homem
Penetre em carne e sangue
No centro da alma do Mundo
No torvelinho do Tudo,
Quem sabe então descansar?
Nahman Armony
LIMIAR (do livro "O Anverso e o Verso")
No emaranhado das palavras
Busco uma brecha
Sorvo profundamente
O ar rarefeito
Cambaleio no espaço
Seguro-me nos corrimões
Vejo as plantações
De seres
Unidos perna a perna
Até o infinito
Já não existo
Já não encontro
Aquilo que fui
E o que sou
Não se é
Se foi
Ou se não é
Enredo-me nas teias
Sofro a distância
Empedra-me o sofrimento
E busco
Por entre as palavras
A força vital
O impulso primevo
Tão diluído
No labirinto das leis e deveres.
Mulambo, balaio, rede
Quente, dia, rente
Moleza.
Sou Eu?
Ou é Ele?
Nahman Armony
Busco uma brecha
Sorvo profundamente
O ar rarefeito
Cambaleio no espaço
Seguro-me nos corrimões
Vejo as plantações
De seres
Unidos perna a perna
Até o infinito
Já não existo
Já não encontro
Aquilo que fui
E o que sou
Não se é
Se foi
Ou se não é
Enredo-me nas teias
Sofro a distância
Empedra-me o sofrimento
E busco
Por entre as palavras
A força vital
O impulso primevo
Tão diluído
No labirinto das leis e deveres.
Mulambo, balaio, rede
Quente, dia, rente
Moleza.
Sou Eu?
Ou é Ele?
Nahman Armony
ELEGIA À CHAMA SAGRADA (retirado do livro "O Anverso e o Verso)
Tenho medo de chegar ao meu fundo
E encontrar alguma coisa muito definitiva
Que me levará a fazer não sei o quê
Ou me enlouquecerá.
Até meus sonhos se detêm
Diante da porta-revelação.
Estou amarrado pela minha miséria
Pela minha covardia.
Estou proibido de entrar no paraíso
Saborear os seus frutos
Repousar à sombra de sua árvores tranquilas.
Estou destinado a caminhar incessantemente
Nas meias alegrias
Nos meios cansaços
Nos meios tons de meu purgatório.
Meu mergulho
Não atinge o meu fundo
E nunca sou purificado
Pela chama sagrada.
Nahman Armony
E encontrar alguma coisa muito definitiva
Que me levará a fazer não sei o quê
Ou me enlouquecerá.
Até meus sonhos se detêm
Diante da porta-revelação.
Estou amarrado pela minha miséria
Pela minha covardia.
Estou proibido de entrar no paraíso
Saborear os seus frutos
Repousar à sombra de sua árvores tranquilas.
Estou destinado a caminhar incessantemente
Nas meias alegrias
Nos meios cansaços
Nos meios tons de meu purgatório.
Meu mergulho
Não atinge o meu fundo
E nunca sou purificado
Pela chama sagrada.
Nahman Armony
POEMA DA INTEGRAÇÃO (do livro "O Anverso e o Verso")
Há uma longa distância percorrida
Entre o Tudo e o Nada
Onde Tudo se esvazia e se transforma em Nada
E o Nada se completa e se transforma em Tudo.
Esta distância
Ene vezes percorrida
Acaba por confundir o Tudo e o Nada
Que se transcendem em Construções Conceituais
E em Sonhos Candentes.
--- Aí encontra-se o segredo ---
Primeiro é preciso viver o sonho
Depois, sabe-lo sonho
E vive-lo ainda assim.
Mas é preciso também
Saber o oposto do sonho
Viver o oposto do sonho.
E reunindo sonho e não-sonho
Em um instante de vida
Ter aquele Momento Único
Que será singular
Tantas vezes quantas acontecer.
Nahman Armony
Entre o Tudo e o Nada
Onde Tudo se esvazia e se transforma em Nada
E o Nada se completa e se transforma em Tudo.
Esta distância
Ene vezes percorrida
Acaba por confundir o Tudo e o Nada
Que se transcendem em Construções Conceituais
E em Sonhos Candentes.
--- Aí encontra-se o segredo ---
Primeiro é preciso viver o sonho
Depois, sabe-lo sonho
E vive-lo ainda assim.
Mas é preciso também
Saber o oposto do sonho
Viver o oposto do sonho.
E reunindo sonho e não-sonho
Em um instante de vida
Ter aquele Momento Único
Que será singular
Tantas vezes quantas acontecer.
Nahman Armony
HISTÓRIA POÉTICA DE BASTIDORES (de meu livro "O Anverso e o Verso")
MOMENTO 1
A carne macia me chama
Para a sua maciez tépida
Langorosa
A carne macia afunda
À pressão de meu corpo
Desejoso
A carne macia cede
Ao meu impulso
Amoroso
A carne macia se integra e se desfaz
Ao meu amplexo atávico, esporoso....
Nahman Armony
A carne macia me chama
Para a sua maciez tépida
Langorosa
A carne macia afunda
À pressão de meu corpo
Desejoso
A carne macia cede
Ao meu impulso
Amoroso
A carne macia se integra e se desfaz
Ao meu amplexo atávico, esporoso....
Nahman Armony
MOMENTO 2
A carne macia me chama
Para a sua maciez tépida
Langorosa
A carne macia afunda
À pressão de meu corpo
Desejoso
A carne macia cede
Ao meu impulso
Amoroso
A carne macia se integra e se desfaz
Quando meu amplexo atávico
Explode disseminando o pólen atômico
Para além do UNIVERSO.
Nahman Armony
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